Durante muito tempo, viajar sozinha foi associado a uma imagem bastante específica: uma mulher que parte sem companhia e passa toda a viagem por conta própria.

Mas talvez essa seja uma maneira limitada de enxergar esse tipo de viagem.

Viajar sozinha não precisa significar estar sozinha o tempo inteiro.

Pode significar algo muito mais interessante: ter liberdade para escolher.

Escolher a hora de acordar. Decidir quanto tempo ficar em um museu. Mudar o restaurante sem consultar ninguém. Passar uma manhã inteira caminhando sem pressa.

E também escolher sentar à mesa com outras pessoas, participar de uma aula de culinária, fazer uma visita guiada ou passar alguns dias acompanhada por um pequeno grupo.

A independência não está necessariamente em fazer tudo sozinha.

Está em poder decidir.

Mais mulheres estão interessadas em viajar sozinhas

Essa mudança aparece também nas pesquisas sobre viagens.

Em 2026, o interesse pelo termo “solo travel” chegou ao maior nível já registrado nas buscas do Google nos Estados Unidos. As pesquisas por “women solo travel” também atingiram o maior patamar dos últimos 15 anos.

Mas há outro dado interessante: ao mesmo tempo, as buscas por grupos e excursões também chegaram a níveis recordes.

À primeira vista, pode parecer uma contradição.

Não é.

Uma pesquisa realizada anteriormente com mais de 3.300 viajantes que viajam sozinhos ajuda a entender esse comportamento: 64% apontaram a liberdade e a espontaneidade entre as principais motivações para esse tipo de viagem. Ao mesmo tempo, 58% disseram querer conhecer novas pessoas durante o percurso.

Ou seja: querer independência não significa necessariamente querer isolamento.

Talvez estejamos apenas aprendendo a separar duas coisas que durante muito tempo foram tratadas como sinônimos:

viajar sozinha e ficar sozinha.

Pote com dinheiro para viagem, mapa e miniatura de avião sobre uma mesa

Você não precisa escolher entre independência e companhia

Essa talvez seja uma das descobertas mais interessantes para quem começa a considerar uma viagem sozinha.

Não existe uma regra dizendo como essa experiência precisa ser.

Você pode reservar um quarto só para você e participar de uma visita guiada pela cidade.

Pode passar a manhã caminhando sozinha e fazer uma aula de culinária à tarde.

Pode escolher seus próprios hotéis e deslocamentos, mas contratar um passeio em grupo para conhecer um lugar onde não se sentiria confortável indo sozinha.

Pode viajar dez dias de maneira independente e passar dois deles em uma pequena excursão.

Pode jantar sozinha hoje e dividir uma mesa com pessoas que acabou de conhecer amanhã.

Uma viagem não deixa de ser sua porque existem momentos compartilhados.

Na verdade, essa combinação pode funcionar especialmente bem para mulheres que desejam autonomia sem abrir mão da convivência.

Comece pensando em como você gosta de estar sozinha

Antes de escolher o destino, vale fazer uma pergunta menos óbvia:

Como eu me sinto quando estou sozinha?

Algumas mulheres adoram passar o dia inteiro por conta própria.

Outras gostam da independência durante algumas horas, mas preferem ter algum compromisso social ao longo do dia.

Há quem não se importe em visitar um museu sozinha, mas não goste de jantar sem companhia.

Há quem adore um jantar tranquilo com um livro e prefira companhia para fazer uma trilha.

Nada disso determina se você “serve” ou não para viajar sozinha.

Serve apenas para ajudá-la a montar uma viagem compatível com a sua personalidade.

E esse é um princípio importante para qualquer planejamento: em vez de tentar reproduzir a viagem de outra pessoa, entender primeiro aquilo que faz você se sentir confortável.

Planeje alguns pontos de encontro

Quem deseja conhecer pessoas durante a viagem não precisa deixar isso inteiramente ao acaso.

Algumas experiências favorecem naturalmente a convivência:

  • visitas guiadas a pé;
  • aulas de culinária;
  • degustações;
  • pequenos passeios em grupo;
  • oficinas e atividades culturais;
  • excursões de um dia;
  • hospedagens que ofereçam atividades para os hóspedes.

A ideia não é preencher a agenda.

É criar algumas oportunidades de encontro dentro de uma viagem que continua sendo sua.

Um ou dois momentos compartilhados podem ser suficientes para equilibrar vários dias de independência.

Preserve também o seu espaço

O contrário é igualmente importante.

Viajar sozinha pode ser uma oportunidade rara de não precisar negociar cada decisão.

Por isso, não transforme a viagem em uma agenda cheia apenas porque está com receio de ficar sozinha.

Deixe algumas manhãs livres.

Caminhe sem destino por algum tempo.

Sente em um café.

Volte ao hotel mais cedo se estiver cansada.

Mude o roteiro.

A possibilidade de fazer isso sem precisar convencer ninguém é justamente uma das grandes vantagens de viajar por conta própria.

Inclua no orçamento o dinheiro para mudar de ideia

Existe ainda uma parte dessa liberdade que quase nunca aparece nas planilhas de viagem.

Normalmente calculamos passagem, hospedagem, alimentação, seguro, transporte e passeios.

Mas, para uma mulher viajando sozinha, eu acrescentaria mais uma pequena reserva:

dinheiro para mudar de ideia.

Não é exatamente um fundo para emergências.

É uma quantia que permite tomar outra decisão quando alguma situação deixa de parecer confortável.

Pode servir para chamar um táxi porque você não quer voltar andando à noite.

Trocar uma hospedagem que não transmitiu a segurança esperada.

Comprar outra passagem de trem.

Desistir de um passeio.

Reservar uma noite extra.

Escolher uma opção privativa quando perceber que precisa de mais tranquilidade.

Ou simplesmente sair de uma situação na qual não quer permanecer.

Esse dinheiro não está “sobrando” no orçamento.

Ele tem uma função.

Comprar liberdade de escolha.

O valor necessário dependerá do destino, da duração da viagem e do orçamento de cada pessoa. Mais importante do que estabelecer uma quantia universal é prever essa margem antes do embarque.

Porque uma decisão muda quando você sabe que pode dizer:

“Não estou confortável aqui. Vou embora.”

Planejar também é criar liberdade

Existe uma ideia de que liberdade e planejamento são opostos.

Nas viagens, muitas vezes acontece justamente o contrário.

Saber como funciona o transporte, escolher bem a localização da hospedagem, manter uma reserva financeira, conhecer algumas alternativas e entender como pedir ajuda permite improvisar com muito mais tranquilidade.

Planejar não significa controlar cada hora da viagem.

Significa criar condições para escolher melhor quando alguma coisa não sair como imaginado.

Talvez essa seja a verdadeira liberdade de viajar sozinha

Não é provar que você consegue fazer tudo sem ninguém.

Não é evitar grupos.

Não é jantar sozinha todas as noites.

E certamente não é transformar a viagem em um teste de coragem.

É poder construir uma experiência de acordo com aquilo que faz sentido para você.

Estar sozinha quando quiser silêncio.

Encontrar pessoas quando quiser companhia.

Pedir ajuda quando precisar.

Mudar de plano quando alguma coisa não parecer certa.

Descansar sem culpa.

Continuar quando estiver feliz.

Ir embora quando não estiver.

Viajar sozinha pode começar com uma passagem comprada para uma pessoa.

Mas a liberdade está em todas as escolhas que vêm depois.

Para viajar com mais tranquilidade, confira também uma opção de seguro viagem antes do embarque.