Quando pensamos em Matera, é quase inevitável pensar primeiro nos Sassi. As antigas habitações escavadas na rocha transformaram a cidade em uma das imagens mais reconhecíveis do sul da Itália.
Mas há outras maneiras de conhecer Matera.
Uma delas começa à mesa.
O Pane di Matera IGP, o tradicional pão de Matera, reúne ingredientes e técnicas de produção ligados ao território. Mas sua história vai além da receita: passa pelo cultivo do trigo, pela paisagem da Murgia Materana, pelos antigos fornos usados pela comunidade e até por pequenos carimbos de madeira que identificavam o pão de cada família.
Conhecer essa história não significa acrescentar mais uma atração ao roteiro.
Significa entender um pouco melhor o lugar onde você está.
O que é o Pane di Matera IGP?
O Pane di Matera possui o selo europeu de Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Isso significa que o nome não identifica simplesmente qualquer pão produzido na cidade. Para receber a denominação Pane di Matera IGP, o produto precisa seguir regras específicas de produção.
Entre suas características estão o uso de sêmola de trigo duro, a fermentação natural, a coloração amarelada do miolo, os alvéolos irregulares e a crosta espessa.
Outra característica marcante é seu formato, que pode ser arredondado ou lembrar uma espécie de crescente. A tradição local associa sua forma aos relevos da Murgia Materana, a paisagem que circunda Matera.
É uma ligação interessante: aquilo que vemos na mesa também remete ao território onde o pão nasceu.
Os antigos carimbos de pão de Matera
Talvez a parte mais curiosa dessa história esteja em um pequeno objeto de madeira.
Até meados do século XX, famílias de Matera costumavam preparar seus próprios pães e levá-los para assar em fornos utilizados pela comunidade.
Era preciso, portanto, saber a quem pertencia cada pão depois do cozimento.
Para isso existiam os marchi da pane, os carimbos de pão.
Antes de ir ao forno, a massa recebia uma marca que permitia identificar o pão de cada família.
Os carimbos eram feitos em madeira e podiam trazer letras e diferentes entalhes. Alguns também circulavam dentro das próprias famílias e estavam ligados a momentos importantes da vida doméstica.
Hoje, muitos desses objetos são preservados pelos Museus Nacionais de Matera. A coleção etnográfica reúne carimbos de pão e outros objetos que ajudam a documentar a vida camponesa e agropastoril da Basilicata.
É um ótimo exemplo de como um utensílio aparentemente simples pode nos contar muito sobre a organização da vida cotidiana.

O pão e os antigos fornos
A história dos carimbos também revela algo que não enxergamos quando simplesmente compramos um pão pronto: produzir pão fazia parte de uma dinâmica coletiva.
As famílias preparavam a massa, mas o cozimento podia acontecer em fornos compartilhados.
O pão, portanto, estava relacionado não apenas à alimentação, mas ao trabalho doméstico e à vida da comunidade.
E isso ajuda a explicar por que aqueles pequenos carimbos eram necessários.
Quando conhecemos esse contexto, entrar em uma padaria em Matera deixa de ser apenas uma oportunidade de provar uma especialidade famosa.
Passamos a reconhecer naquele pão a continuação de uma história muito mais antiga.
E o que é cialledda?
Há outra maneira de encontrar o pão na cozinha tradicional de Matera: a cialledda.
A preparação nasceu também do aproveitamento do pão que já havia endurecido.
Existem diferentes versões. A cialledda fria pode combinar o pão umedecido com tomate e alho. Já a versão quente aparece com ingredientes como ovo, louro, alho e azeitonas.
É uma cozinha baseada em ingredientes simples e no aproveitamento do que havia disponível.
Para quem estiver em Matera, portanto, vale prestar atenção não apenas ao Pane di Matera vendido nas padarias, mas também aos pratos tradicionais nos quais o pão aparece como ingrediente.
O que observar ao provar o Pane di Matera
Você não precisa transformar a experiência em uma degustação técnica.
Mas conhecer algumas características torna a experiência mais interessante.
Observe a crosta espessa, a coloração amarelada do miolo e seus alvéolos irregulares. Repare também no formato.
E, principalmente, lembre-se de onde ele vem.
Há trigo cultivado no território, técnicas transmitidas ao longo do tempo e uma tradição de produção que acabou se tornando parte da identidade gastronômica de Matera.
É uma experiência simples — entrar em uma padaria e comprar pão — que ganha outra dimensão quando sabemos o que estamos procurando.
Matera além dos Sassi
Nada disso diminui a importância dos Sassi.
Eles fazem parte da história da cidade e naturalmente estarão no roteiro de quem visita Matera pela primeira vez.
Mas conhecer um destino não precisa significar escolher entre suas grandes atrações e a vida cotidiana.
Podemos fazer as duas coisas.
Visitar os Sassi, entrar nas igrejas rupestres, caminhar pelas ruas de pedra — e também observar o que existe nas padarias, nos mercados, nos restaurantes e nas mesas.
É justamente aí que o Pane di Matera se torna interessante para uma viagem.
Não porque seja necessário atravessar a Itália exclusivamente para comer esse pão.
Mas porque ele oferece mais uma razão para olhar Matera com atenção e permanecer um pouco além da imagem que já conhecíamos antes de chegar.
Se você estiver planejando uma viagem a Matera
Guarde três ideias simples:
- procure o Pane di Matera IGP e observe suas características;
- experimente também uma cialledda, se encontrá-la no cardápio;
- lembre-se da história dos antigos carimbos quando encontrar esse pão pela cidade.
É pouca coisa para acrescentar ao planejamento.
Mas pode mudar bastante aquilo que você percebe durante a viagem.
Porque às vezes compreender melhor um destino começa justamente assim:
com uma história que faz você prestar atenção em algo que, sem ela, talvez passasse despercebido.
Continue a explorar Matera
Se quiser aprofundar a visita, confira experiências disponíveis na cidade e escolha as que combinam com seu ritmo.
Ver experiências em MateraFontes consultadas: Italia.it — O Pão de Matera; Musei Nazionali di Matera — coleção etnográfica; Musei Matera — carimbos de pão.
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