Sabe aquelas experiências que você deixa de viver e depois se arrepende?

Pois bem. Foi exatamente isso que vivi numa viagem para Paris.

Eu amo carrosséis.

E sinceramente acho que existe um pouco de magia neles.

Talvez porque eles tenham alguma coisa de infância, de leveza, de encantamento… não sei explicar.

Mas quando estive em Paris, deixei de entrar em um.

E não foi porque estava sem tempo.

Nem porque era caro.

Nem porque estava fechado.

Foi por vergonha.

Sim, vergonha.

Na época, eu não falava inglês e muito menos francês.

E apesar de estar viajando com meu filho, ele não quis ir comigo no carrossel.

Então, de repente, aquela experiência que parecia tão simples começou a ficar desconfortável na minha cabeça.

Eu me senti deslocada.

Exposta.

Quase “ridícula” por querer entrar sozinha num carrossel em outro país.

E acabei não indo.

Hoje eu percebo que nunca foi sobre o carrossel.

Foi sobre o quanto, às vezes, a gente deixa de viver pequenas experiências porque não se sente confortável em ocupá-las sozinha.

E acho que muitas mulheres entendem exatamente o que estou falando.

Porque existem situações que parecem pequenas vistas de fora, mas que internamente despertam uma insegurança enorme.

Entrar sozinha num restaurante.

Sentar num café.

Pedir para alguém tirar uma foto.

Viajar desacompanhada.

Ou até entrar num carrossel.

Parece bobo… até a gente sentir o desconforto na pele.

E o mais curioso é que eu nem estava sozinha naquela viagem.

Mas naquele momento, sem alguém vivendo aquilo comigo, eu me senti.

Talvez porque exista uma diferença enorme entre estar acompanhada e se sentir emocionalmente segura para viver alguma coisa.

E isso ficou ainda mais claro para mim anos depois, em Florença.

Colagem com fotos de viagem em Paris e Florença, incluindo um carrossel

Eu estava viajando com a Grazi e a mãe dela quando vimos um carrossel.

Na hora, me veio aquele sentimento de novo:

“eu queria ir.”

Mas dessa vez foi diferente.

A Grazi me incentivou.

A mãe dela topou ir comigo.

E a própria Grazi nem entrou no carrossel.

Mas ela fez uma coisa muito maior:

ela tornou possível que eu fosse.

E isso ficou muito marcado em mim.

Porque percebi que existem pessoas que diminuem nossa vergonha de existir.

Pessoas que fazem a gente se sentir confortável para viver experiências sem medo de parecer exagerada, infantil ou ridícula.

Pessoas que não zombam dos nossos desejos pequenos.

Que não diminuem nossos encantamentos.

Que não fazem a gente se sentir “demais”.

E talvez esse seja um dos maiores presentes das companhias certas.

Elas não vivem as experiências por nós.

Mas elas criam um espaço emocional onde a gente consegue finalmente viver.

Naquele dia em Florença, eu não entrei no carrossel porque virei uma mulher sem medo.

Entrei porque já não queria perder a experiência pela segunda vez.

E também porque, quando estamos cercadas pelas pessoas certas, algo dentro da gente relaxa.

A necessidade de parecer adequada diminui.

A vergonha perde força.

O medo de julgamento fica menor.

A gente simplesmente vive.

E talvez seja por isso que algumas viagens nos marcam tanto.

Não apenas pelos lugares.

Mas por quem éramos quando estivemos lá.

E principalmente por quem estava ao nosso lado enquanto vivíamos aquilo.

Até hoje eu ainda quero entrar no carrossel de Paris.

Mas curiosamente, já não sinto isso como arrependimento.

Sinto quase como um reencontro pendente com aquela versão minha que ainda acreditava que precisava se sentir completamente segura, acompanhada e confortável para viver certas experiências.

E talvez crescer também seja isso.

Perceber que algumas pessoas expandem quem conseguimos ser.